
Um vazio intenso e eterno. Um vazio constante e implacável. Um vazio que dói, que fere, que mata aos poucos; batimento por batimento, segundo por segundo. É exatamente isso, um vazio. Uma falta de sentimento que sufoca, e que me faz pensar que de uma hora para outra a nossa vida pode mudar – e não necessariamente para melhor – sem que ao menos nós percebamos. Em um piscar de olhos.
Em um momento nós estamos rodeados de pessoas que nos prezam, amam, apreciam nossa presença, ficam felizes conosco, e em outro momento, parece que não fazem questão de nos ter por perto. É uma mudança repentina, dolorosa.
É impossível conversar sobre isso com alguém; ninguém vai entender da maneira correta, muitos vão sentir pena, a maioria vai achar que é apenas mais um drama de uma adolescente mesquinha que tem tudo, pouquíssimos irão assentir com a cabeça e dar um abraço de conforto – o tão desejado, e necessário abraço.
Existe uma encruzilhada de perguntas sem respostas pairando sobre mim.
Há uma pessoa, uma certa pessoa, e diferentemente da maioria dos textos que existem, ela não é o amor da minha vida, ela não é um menino que não nota que eu existo. Ela é minha melhor amiga, ou pelo menos era. Aquela que eu sinto mais falta, e sei que a afastei por minha culpa. É, eu sei. E isso não faz a situação parecer melhor. Eu tinha tudo o que eu queria, e perdi por pura incapacidade. Hoje, aquela por quem eu tinha como uma irmã passa por mim e me dá um acanhado sorriso quando eu tento me aproximar, ri das piadas sem graça dos outros, e não me escuta quando estou falando de um assunto sério, continua andando enquanto eu a chamo. E fui eu que a perdi. Na verdade, não a perdi pois ela nunca foi minha, mas perdi sua amizade, meu maior bem, e eu o perdi por medo de perder.
Becky.
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